Sobre a pintura de Silvio Fiorenzo:

“Para os gregos, a escultura era a Arte suprema, por ser a que requeria maior habilidade do artista. Desde sempre a escultura atrai a sensibilidade do público, talvez por representar de forma mais “palpável” e concreta a realidade e as formas.

A tridimensionalidade da escultura que é já, por si só, atraente, desempenha um papel importante nas obras de Silvio Fiorenzo que lhes confere uma mobilidade que as torna quase “vivas”, animando o local que ocupam como se lá tivessem nascido. Mas não: foram criadas de raiz num atelier onde são pensadas como se de uma extensão da Natureza se tratasse. Como um corpo sensual desenhado no papel que se descarna da folha branca e “salta” para o ar com tanta pose e dignidade, que até parece gente.

(…)

Esculturas feitas à medida de todos os sonhos…

Por isso é tão difícil tecer considerações sobre este autor italiano de olho vivo, espírito profundo, mão ágil e traço irrequieto…

(…) O melhor será, pois, atentar nos seus trabalhos, com destaque para as originais esculturas de malha metálica que o consagraram e só depois arriscaram ler a alma do artista.

Primeiro faz um projeto e uma série de desenhos e só então surge a escultura, num trabalho moroso e paciente. Como se Silvio Fiorenzo continuasse a desenhar com rede, usando as cores para acentuar o sentido aromático herdado dos cartoons.

(…)

Por impulso.

A criatividade de Silvio Fiorenzo não tem limites, mas também não é muito disciplinada, como já confessou… a inspiração surge-lhe sempre que algo lhe provoca um imenso prazer estético: é então que o escultor quer partilhar as suas emoções com o público e a obra nasce, plena de vitalidade. (…)

Ana Paula Almeida