Sobre a pintura de Silvio Fiorenzo

Silvio Fiorenzo, através da apropriação e consequente incorporação na tela de elementos retirados de obras de Tiziano, Caravaggio, Miguel Ângelo, Ingres ou Rembrandt e da conjugação destes com figuras de banda desenhada, consegue criar composições inovadoras. A inovação não está nos elementos clássicos, nem nas personagens de B.D., tampouco na apropriação, praticada de forma mais frequente desde a década de sessenta do século XX por Roy Lichtenstein ou Andy Warhol. O fator decisivo é a conjugação, na mesma tela, de todos os elementos: mestres do Renascimento, do Barroco, do Neoclassicismo ou do Romantismo, definidores da nossa própria identidade cultural ocidental e personagens de B.D. cujas aventuras nos entusiasmam. É nesta conjugação e no efeito surpresa que desperta no espectador que Silvio Fiorenzo é inovador. Um Corto Maltese de Hugo Pratt ladeando um Cristo musculado de Miguel Ângelo, um rato Mickey de Walt Disney incorporado na Ronda Noturna de Rembrandt ou ainda, um Panoramix de Uderzo assistindo ao Nascimento de Vénus de Sandro Botticelli, são cenários possíveis na obra deste artista (…)

André Escarameia Calha