Conheça os trabalhos que temos disponíveis da artista Armanda Passos.

Texto de Vasco Graça Moura sobre a Armanda Passos:

“Presença mágica nesta pintura, de ocultações e desvendamentos oníricos entre mulheres e monstros, esfinges e sáurios, harpias e cobras, camponesas e ratazanas, “Papagenas” e pássaros, tudo num processo de metamorfose em que os seres engendrados pelo imaginário à solta irrompem do chão e dos cantos, entre braços e pernas, na sequência de um gesto, no proporcionar-se de uma posição, junto a um peito ou a um regaço, ante a indiferença dos rostos ou a inexpressividade das máscaras, com o à-vontade de uma presença “natural” e como se não pudesse tratar-se de outra coisa, nem outra coisa representar-se.”

“Criaturas inocentes ou perversas, as mulheres são deste mundo e os monstros também e às vezes partilham porventura a mesma ambígua natureza. Mas, ao lado desta série de grandes superfícies predominantemente vermelhas, há outras mulheres, encapsuladas, metidas numa espécie de embalagens de couro, metal, correias e cabos, em que a estridência das cores está ausente e as formas pendem ou baloiçam como se alguma grua invisível estivesse a erguê-las como peças de uma carga inútil destinada a paragens cósmicas.

Nessas representações, raramente há monstros à espreita, talvez porque a própria monstruosidade estará na própria constrição mumificante e redutora que as prende. Agora, nos polípticos, alternam umas situações e outras, como que a dizer-nos que os polos são entre a prisão e a liberdade da mulher.”

Armanda Passos nasceu em 1944, no Peso da Régua. Licenciou-se em Artes Plásticas na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Expõe desde 1976.

Foi professora de Tecnologia da Serigrafia no Centro de Reabilitação Vocacional da Granja, monitora de Tecnologia da Gravura na ESBAP (1977-1979) e membro do grupo “Série” Artistas Impressores.

Ao longo da sua carreira, Armanda Passos tem alcançado importantes distinções, tais como o 2º Prémio do Ministério da Cultura na Exposição “Homenagem dos artistas portugueses a Almada Negreiros”, Lisboa, 1984, a Menção Honrosa no “VIII Salão de Outono – Paisagem portuguesa”, Galeria do Casino de Estoril, 1987, a Menção Honrosa no “III Prémio Dibujo Artístico J. Pérez Villaamil”, Museu Municipal Bello Piñeiro, Ferrol, Corunha, 1990 e o Prix Octogne, Charleville (Mezières, França), 1997.

Armanda Passos representou Portugal em vários certames internacionais, por exemplo em Heidelberg, na V Biennal of European Graphic Art (1988); na Polónia, na Exposition Internationale de la Gravure – “Intergrafia 91”, no Pawilon Wystawowy Bwa, Katowice; e, em 1992, no Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, La Louvière, na Bélgica.

Tem participado em inúmeras exposições nacionais e internacionais e vários dos seus trabalhos integram coleções de prestigiadas instituições públicas como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Oriente, a Fundação de Serralves, a Fundação Champalimaud, o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, o Ministério da Cultura, o Ministério da Justiça (Palácio da Justiça do PortoPalácio de Ratton), o Museu da FBAUP ou a Reitoria da U.Porto e relevantes coleções privadas.

Intensa e complexa, a sua obra tem suscitado reflexões e textos produzidos não apenas por críticos da especialidade, mas também por escritores de várias sensibilidades, artistas e até historiadores. Entre os muitos intelectuais que se debruçaram sobre o seu trabalho podem citar-se Fernando Pernes, Mário Cláudio, José Saramago, Vasco Graça Moura, Urbano Tavares Rodrigues, Eduardo Prado Coelho, António Alçada Baptista, David Mourão-Ferreira, Armando Silva Carvalho, José-Augusto Seabra, Lídia Jorge, Luis de Moura Sobral, Raquel Henriques da Silva e José Augusto-França. A artista vive e trabalha no Porto, na casa-atelier projetada pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira.